Governo participa, em Minas Gerais, de plenárias do Comitê da Bacia Hidrográfica do rio São Francisco

O secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Olivier Chagas, participou nessa quinta-feira, 6, em Montes Claros/MG, da XXXV Plenária Ordinária e XXI Plenária Extraordinária do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF). Os eventos seguem até esta sexta, 7, e evidenciam o tema “Biomas Brasileiros".

A Plenária é um momento de reunião dos trabalhos realizados ao longo do segundo semestre de 2018, bem como o planejamento estratégico para o próximo semestre. Neste sentido, os membros do CBHSF e membros dos Comitês de Bacias regionais discutem temas relativos à preservação do rio São Francisco e, consequentemente, dos biomas brasileiros, sobretudo o cerrado e a caatinga, em processo acelerado de degradação.

“Sergipe é membro do Comitê e nós sabemos da importância desse rio. Participamos dessa plenária visando discutir ações, as políticas que devem ser feitas em defesa do rio São Francisco, além das discussões dos nossos biomas que estão castigados, especialmente no nosso caso da caatinga. Precisamos aprofundar discussão, buscarmos ampliar essa pauta dentro da sociedade para que a gente possa tratar melhor o meio ambiente, os recursos hídricos e garantir a vida com qualidade”, destacou o secretário.

A programação inclui vários itens de interesse dos habitantes das cidades que compõem a bacia hidrográfica, além daqueles que nela desenvolvem atividades econômicas agropecuárias e industriais.

O presidente do CBHSF, Anivaldo Miranda, fez um balanço do trabalho do CBHSF no ano de 2018. “Chegamos a XXXV Plenária Ordinária e XXI Extraordinária com resultados positivos, foi um ano intenso, com muito trabalho, dificuldades e vitórias. O modelo democrático e participativo construído na gestão do sistema de gestão de águas brasileira é fruto do amadurecimento da sociedade, uma sociedade complexa e desigual. Neste sentido, o Comitê é o próprio mosaico do retrato do Brasil, que busca conciliar interesses de diferentes usuários, preservando em primeiro lugar, o abastecimento humano. Os avanços são expressivos e é um modelo que está funcionando bem. Mudar a cultura, construir consensos e praticar a democracia não é fácil, daí se dá a importância do Comitê na gestão das águas”, ressaltou o presidente.

O vice-presidente do vice-presidente do CBHSF, Maciel Oliveira, disse que a sociedade precisar fazer com que a bacia seja viável e sustentável. “Não dar para a gente acabar com o pouco que nos resta, a exemplo do serrado, da caatinga, com a mata atlântica do São Francisco. Nós temos que buscar harmonizar os anseios com as questões de saneamento, com as questões de produção agrícola. O objetivo é buscar alternativas de forma conjunta, e nada melhor que um comitê de bacia que agregue a todos e esses que são usuários vamos decidir coletivamente”.

Opinião semelhante tem o diretor da Superintendência de Recursos Hídricos de Sergipe, Pedro Lessa. “Todos precisam ser conscientizados”, exclama, ao lembrar que Sergipe sempre marca presença nesses eventos como um dos componentes do comitê que mais tem atuação. “Se não fosse a nossa perseverança, muitas coisas ainda estariam atrasadas”, colocou.

Medalha Velho Chico

Também aconteceu a entrega da Medalha Velho Chico, como forma de reconhecimento público àqueles que contribuem para a preservação e defesa do Velho Chico. Entre os homenageados, Lívia Tinoco, procuradora da República que atua em Sergipe em defesa do meio ambiente, do patrimônio cultural, do consumidor e das minorias étnicas, em especial índios e quilombolas, por meio da Fiscalização Preventiva Integrada.

“Essas homenagens são aqueles momentos que coroam um trabalho longo, de luta, um trabalho para chegar a um objetivo, que é a proteção do rio São Francisco e esse objetivo também é do MPF. Sou a portadora da medalha, mas ela é de toda a instituição, porque são vários colegas engajados trabalhando nos estados da federação que compõe a bacia hidrográfica, que estão ou atuando nas fiscalizações preventivas integradas ou atuando nos processos relativos a questões problemáticas que envolve a proteção do são Francisco. Então, é uma homenagem a todos”, frisou a procuradora.

Para Mário Mantovani, geógrafo, especialista em recursos hídricos e ambientalista da Fundação SOS Mata Atlântica, receber a medalha é um sentimento indescritível. “A gente estava no momento certo quando um dia, lá atrás no tempo e no espaço decidimos proteger o rio como patrimônio de todo o mundo. E a gente pensava: como fazer diante dos desafios de água que são tão grandes? A impressão de que o mundo não acabava, do país das águas, se mostrava cada dia maior no desafio com doenças, contaminação, poluição, tudo aquilo que achávamos que iria ser um desastre a gente via acontecer e queria reagir a isso. Então, o comitê de bacias foi um caminho que nós escolhemos. Desenvolvemos uma nova lei das águas onde garantisse a participação da sociedade. Estar com esse rio da integração, que é a referência nacional, a gente tem a oportunidade de fazer esse reconhecimento neste evento. Então, isso nos deixa muito felizes”.

Também foram homenageados: Adair Divino da Silva (Bem-ti-vi), prefeito em terceiro mandato no município de Três Marias; Paulo Araújo (Paulão), músico e poeta das causas sociais em defesa do São Francisco; Israel Barreto Cardoso, presidente da Associação dos Condutores de Barcos da ilha do Rodeadouro; Sonáli Cavalcanti, engenheira civil, gerente do departamento de recursos hídricos da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco.

Acordo de cooperação

Com vistas à manutenção e estabelecimento das lagoas marginais no trecho mineiro da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, foi assinado, durante a manhã dessa quinta-feira, 6, um acordo de cooperação técnica entre o CBHSF, Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) e a Agência Peixe Vivo (APV). O projeto prevê a criação de um sistema de previsão hidrológica e hidrodinâmica como suporte de decisão operativa à UHE Três Marias.

Fotos: Ascom Semarh e CBHSF