Semarh apoia expedição na Plataforma Piranema para avaliar presença de aves migratórias

Nos últimos dias 15 e 16 de novembro, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), acompanhou mais uma expedição científica na Plataforma de Petróleo Piranena, localizada no Litoral Sul de Sergipe, a qual fica sobre a jurisdição da Área de Proteção Ambiental (APA) Litoral Sul de Sergipe, ponto de apoio para os pesquisadores que estudam as aves na Ilha da Sogra, no município de Estância. O objetivo é proteger os ecossistemas costeiros e disciplinar o processo de uso e ocupação do solo.

Durante a expedição, o biólogo Paulo César Umbelino, coordenador técnico da APA Sul, acompanhou os médicos veterinários Pedro Cerqueira Lima e Ricardo Lustosa, membro do grupo de pesquisa em Infectologia Veterinária da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e Zildomar Souza Magalhães, anilhador pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação das Aves Silvestres (Cemave).

Na ocasião, foi possível observar duas espécies de aves migratórias do Hemisfério Norte: trinta-réis-boreal (Sterna hirundo) e o trinta-réis-róseo (Sterna dougallii) espécies que constam na lista de ameaçadas das Américas do Norte e do Sul, principalmente no Brasil. Ambas ocorrem na foz do Rio Real, divisa entre os Estados de Sergipe e Bahia, uma área de interesse global para a conservação das aves pela BirdLife International (Ibas) e fazem parte da APA do Litoral Sul de Sergipe e APA do Litoral Norte da Bahia. Local aonde Pedro Cerqueira Lima vem desenvolvendo pesquisas desde 1994.

A população estimada desta duas espécies na Plataforma Piranema foi de 4 mil aves. Durante a visita, Lima proferiu uma palestra para os funcionários da plataforma sobre as aves migratórias, abordando os temas como: comportamento, hábitos alimentares, rota de migração, resultados das pesquisas que vêm sendo desenvolvidas em parceira com o Museu de História Natural de Nova Iorque e os impactos ambientais e indicadores de risco de introdução de patógenos veiculados por aves migratórias no brasil que vem sendo realizados pelos Ministério da Saúde, onde os pesquisadores estudam as aves e a importância da conservação destas espécies.

Os funcionários fizeram vários questionamentos relacionados à convivência com as aves migratórias. A maioria  relacionado aos riscos de adquirirem algum tipo de doença.

Lima esclareceu que até o presente momento não há nenhum registro de pessoas que foram infectadas por algum tipo de doença grave, que pode levar sequelas ou morte, por conviver ou trabalhar com as duas espécies que ocorrem na Plataforma Piranema.

Informou ainda que centenas de pesquisadores realizam pesquisas com estas duas espécies em colônias de reproduções na America do Norte e Europa, e que ele trabalha com estas duas espécies tendo manipulando mais de 20 mil aves desde 1994.

Segundo o biólogo Paulo César Umbelino, a contribuição do Estado de Sergipe no trabalho de conservação destas duas espécies ameaçadas e, consequentemente, a conservação do habitat, beneficiará uma infinidade de espécies.

PAN

Essas expedições fazem parte das ações do Plano de Ação Nacional (PAN) para aves limícolas e migratórias que vivem em ambientes úmidos e retiram destes sua alimentação, como também utilizam esses locais para reprodução (no caso das espécies residentes,) assim como para o ganho de peso, descanso e troca de plumagem, necessários à migração para outras áreas.

A Semarh, através da Unidade de Conservação Litoral Sul Sergipano, se comprometeu a ser colaboradora do Plano de Ação Nacional (PAN) para Aves Migratórias. Essa ação acontece em conjunto com o Centro de Pesquisa e Conservação de Aves Migratórias (Cemave), um dos 11 Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação geridos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com atuação em todo o território brasileiro e com sede localizada na Floresta Nacional Restinga de Cabedelo, município de Cabedelo-Paraíba.